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Caso Bernardo | MP pede pena máxima para pai e madrasta

Os Promotores de Justiça Bruno Bonamente, Ederson Menezes e Sílvia Jappe atuaram na acusação. Eles acusam Leandro Boldrini, Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz de serem responsáveis pelo homicídio qualificado (motivo torpe, motivo fútil, dissimulação e emprego de veneno) de Bernardo Boldrini, ocultação de cadáver e falsidade ideológica (esse último, só Leandro).

“Bernardo morreu porque o ser humano não alcançou o nível da maldade de Leandro e Graciele. Todas as pessoas que tiveram contato com essa situação não acreditaram que pudesse acontecer o pior. Apesar de apanhar, ele nunca se queixou”, afirmou Menezes.

Os Promotores pediram a pena máxima para Leandro e Graciele. “Esperamos que eles terminem a vida deles na cadeia”, afirmou Ederson Menezes. Já a culpabilidade de Edelvania e Evandro, frisou o Promotor, deve ser medida conforme a participação de cada um dos irmãos Wirganovicz.

Denúncia

Para o Ministério Público, Leandro Boldrini foi o mentor intelectual do crime. Ele e a companheira Graciele Ugulini não queriam dividir com Bernardo a herança deixada pela mãe dela, Odilaine (falecida em 2010), e o consideravam um estorvo para o novo núcleo familiar. O casal ofereceu dinheiro para Edelvânia Wirganovicz ajudar a executar o crime.

Bernardo, não sabendo do plano, aceitou ir, em 4 de abril de 2014, até Frederico Westphalen com a madrasta para ser submetido a uma benzedeira. O menino acabou morto por uma superdosagem de Midazolan. Seu corpo foi enterrado em uma cova vertical, aberta por Evandro Wirganovicz.

Depois de matar e enterrar o filho, para que ninguém descobrisse o crime, Leandro Boldrini teria feito um falso registro policial do desparecimento de Bernardo.

Crime

De acordo com a acusação, a morte de Bernardo foi planejada com antecedência. O Promotor de Justiça Bruno Bonamente apresentou parte do depoimento de uma testemunha, amiga de Graciele, procurada por ela em janeiro de 2014. A amiga relatou que a madrasta contou que Bernardo era esquizofrênico e um estorvo para a família. Graciele ainda disse à amiga: “Como diz o Leandro, esse guri só embaixo da terra ou no fundo do poço.” A amiga tentou dissuadi-la de fazer algo contra o enteado.

Graciele, então, procura outra amiga, Edelvania, com quem morou junto no passado. É a Assistente Social que confessa o crime e aponta onde o corpo foi enterrado. O MP afastou a alegação de Edelvania de que foi coagida pela Polícia para confessar o crime, mostrando imagens do primeiro depoimento dela à Delegada Cristiane Moura.

Na quarta-feira, 2 de abril de 2014 (dois dias antes do homicídio), Graciele teria dado à Edelvania o kit de Midazolan, retirado da clínica de Leandro Boldrini com autorização dele. Uma superdosagem do medicamento foi utilizada no menino. Nesse mesmo dia, as duas compraram as ferramentas para abrir o buraco.

A cova de Bernardo foi aberta por Evandro também na quarta-feira à noite. No dia seguinte, Edelvania vai verificar o local. Na sexta, dia do crime, Graciele e Leandro começam a executar o crime.

Dissimulação

A trama foi planejada para induzir o menino a acreditar que iria ser levado para ver uma benzedeira para ficar mais calmo. A acusação mostrou imagens das câmeras de um posto de gasolina localizado ao lado do prédio onde Edelvânia morava. É possível ver o menino andando normalmente. “Naquele momento em que ele sai do carro da Graciele e entra no de Edelvânia, ele não está grogue. Ele está bem. Eles seguem para a morte.”

Ocultação

Após matar, enterrar e ocultar o cadáver, Graciele entrou em uma loja de eletroeletrônicos e comprou uma televisão. O MP mostrou as imagens do circuito interno do estabelecimento. “O estorvo estava eliminado”, ressaltou o Promotor Bonamente.

Minutos depois da compra, ela ligou para Leandro. Já Edelvania ligou para Evandro momentos depois. “Em Três Passos, vem a fase dois do plano. Aí entra a mentoria intelectual do Leandro, que espera até domingo para procurar Bernardo.”

No sábado à noite, o casal vai a uma festa em Três de Maio. No domingo de manhã Leandro fez duas ligações para Bernardo, mas elas não se completam. Vai então na casa de um amigo de Bernardo e também faz registro policial. “Naquela noite, Três Passos não dormiu à procura de Bernardo. Mas o pai desligou o celular e foi dormir.” Na segunda-feira, Leandro fez uma cirurgia. “Essa é a postura do mentor intelectual.”

Um amigo sugeriu espalhar cartazes com a foto de Bernardo, mas Leandro não quis.

Evandro

Evandro Wirganovicz foi denunciado pelo MP posteriormente. Ele teria aceitado participar do crime mediante recompensa. Na noite de 2 de abril de 2014, testemunhas viram o carro de Evandro nas proximidades do local onde foi aberta a cova de Bernardo. O acusado alega que estava em férias e que foi no local, pescar no Rio Mico. “Isso é mentira. Ele tirou férias muito antes disso. Ele foi naquele dia ao local apenas para cavar o buraco”, acusou o Promotor Ederson.

O membro do MP acredita que Evandro tenha atendido a um pedido da irmã por amor a ela.

Receita médica

A receita assinada por Leandro Boldrini, para aquisição de Midazolan, foi dada por Graciele à Edelvania. Apesar de a defesa do médico apresentar no Plenário como testemunha um perito cujo parecer técnico aponta que a assinatura é falsa, o MP acredita na legitimidade da rubrica.

Leandro

O MP procurou demonstrar o quanto o pai de Bernardo era ausente e pouco sabia sobre o filho. “Até errou a idade de Bernardo aqui no Plenário. Bernardo teria hoje 16 anos, e não 17, como ele falou”, frisou a Promotora. Sílvia Jappe passou um trecho da participação de Leandro em uma rádio, pedindo ajuda para encontrar Bernardo, onde o médico dá medidas do menino, como peso e altura. “Ele não sabia nada sobre Bernardo, mas precisou calcular qual a dose do medicamento necessária para matá-lo.”

O MP apresentou um parecer de um Psiquiatra que apontou que Leandro apresenta traços de psicopatia, como frieza, egocentrismo e falta de reação emocional. “Monstro. Isso não tem outra definição.”

“Sabia da ocultação, mas fez a polícia de joguete”, afirmou Menezes, em referência ao crime de falsidade ideológica ao qual Leandro responde.

O julgamento segue agora com a manifestação dos defensores dos acusados.

Informações do TJ RS.

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