Vídeo | “Vou pra cadeia, mas eu nunca me senti tão livre”, diz mulher ao confessar que matou marido e guardou corpo no freezer em SC

Valdemir Hoeckler, de 52 anos, estava desaparecido desde a última segunda-feira (14), e foi encontrado na noite de sábado (19), congelado dentro do freezer da própria residência, no interior do município de Lacerdópolis, no Oeste de Santa Catarina.

A esposa confessou ter matado o homem e alegou ter sofrido violência doméstica. Ela deu uma entrevista exclusiva ao repórter Beto Ribeiro.

– Ele era obsessivo, não queria que eu trabalhasse. Era muito ciumento, não podia ter amigos homens, nem mulheres. Se eu tinha alguma amiga, ele dizia para a pessoa que nós éramos lésbicas, que era para se afastar. Em 2019 eu fiz um boletim de ocorrência, mas o que é um boletim de ocorrência hoje? Eu pedi uma medida protetiva, mas a polícia não ajuda com nada, essa é a realidade. Eu tentei pedir ajuda para uma amiga para fugir, mas era muito medo, eu sabia que ele ia me encontrar, ia ser pior e ele ia acabar me matando. Depois que eu fiz o BO, ele me obrigou a tirar o boletim de ocorrência – conta.

Ela detalha ainda que após o boletim de ocorrência, a relação piorou. A filha do casal saiu de casa e ela sofria ainda mais. Chegou a contar que tentou tirar a própria vida se jogando do carro.

– Na pandemia também piorou muito. Ele não me deixava fazer nada, simplesmente não tinha vida própria. Eu não podia sair com as amigas, se tinha que trabalhar a noite tinha que mandar foto, fazer videochamada para ele ter garantia que eu estava lá, não podia me arrumar porque ele dizia que eu ia arrumar outro. Ele dizia que se eu deixasse dele, ele ia matar a minha filha, tiraria de mim o que eu mais amava – detalha.

Ela fala sobre o dia do crime, 14 de novembro:

– Uns dias antes tínhamos tido uma confraternização de professoras e ele apareceu do nada lá no local, eram apenas mulheres, minhas colegas, e eu fiquei muito chateada. Depois teve uma viagem que eram só professoras, ele já tinha dito que eu não iria, tentei conversar com jeitinho, afinal eu trabalho, tinha meu dinheiro, pagava conta de casa, todas as minhas coisas, eu não ganhava nada. Mas, no dia 13 ele me bateu e disse que eu não iria e que se eu fosse ele ia me buscar onde fosse e ia me matar. Eu dei uma desculpa no trabalho, disse que não estava bem e não iria no domingo. Quando ele chegou em casa, eu falei com ele de novo, pedi novamente e ele disse que se acordasse eu não estivesse em casa ele me mataria. Me deu um surto, eu pensei “se alguém vai morrer, que seja você”. Dei um remédio para ele dormir e sufoquei ele. Eu fiquei horas pensando no que ia acontecer, se ele ia acordar, me bater de novo. Passou uma hora, mais ou menos. Na hora eu peguei a sacola e coloquei na cabeça dele. Ele não acordou – relatou.

Após ter matado o marido, ela fala sobre ter colocado ele no freezer:

– Eu estava sozinha e levei-o sozinha. Eu queria esconder ele, peguei o lençol, o joguei em cima e coloquei no freezer. Depois disso, eu fui viajar com as minhas colegas do trabalho, mas não aproveitei nada. Cheguei lá e logo voltei – diz.

Agora, após o crime, ela fala o que espera:

– Na verdade, agora, eu acho que vou ver mais a filha que antes, porque antes ele não deixava. Agora, eu estou viva e ele está morto, não vai fazer nada com a minha filha. Eu vou pra cadeia, vou cumprir a minha pena, mas eu me sinto mais livre – finaliza.

Confira a entrevista na íntegra:

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