Senado pode votar na próxima semana o projeto para financiar o piso da enfermagem

O relator-geral do Orçamento de 2023, senador Marcelo Castro (MDB-PI), afirmou nesta terça-feira (20), após reunião com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que o Senado deve votar na próxima semana, antes das eleições, um projeto de lei que pode garantir recursos para estados e municípios para o pagamento do piso da enfermagem.

A matéria em questão é um PLP (projeto de lei complementar) do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) que “permite que estados e municípios possam realocar recursos originalmente recebidos para o combate da Covid-19 para outros programas na área da saúde”. O projeto tem potencial de gerar R$ 7 bilhões aos estados e municípios.

O valor seria suficiente para custear o impacto do setor público com o piso da enfermagem, se considerada estimativa da IFI (Instituição Fiscal Independente), órgão ligado ao Senado.

Relatório divulgado na semana passada mostrou que o piso nacional da enfermagem teria um impacto anual de R$ 5,5 bilhões no setor público, dividido em R$ 26,9 milhões na esfera federal, R$ 1,5 bilhão na esfera estadual, e R$ 3,9 bilhões na esfera municipal.

A quantia gerada pelo projeto, no entanto, não seria capaz de cobrir o impacto do setor privado. Cálculos da IFI apontam que eventual apoio da União à rede privada pode custar R$ 11,9 bilhões anuais.

Após reunião com Pacheco, Castro pontuou que o projeto de Heinze é apenas parte da solução, e que o Senado já poderia aprovar o texto. Ainda assim, a matéria teria que passar pela Câmara, e a questão ainda não foi discutida com o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), segundo o relator-geral do Orçamento.

“Vamos aprovar no Senado e depois tem que ir para a Câmara. Vamos fazer a nossa parte”, disse Castro nesta terça-feira. De acordo com ele, é preciso liberar os recursos com base no projeto em questão para dar um “reforço ao orçamento dos estados e dos municípios”.

Em relação à rede privada, o relator voltou a falar sobre a proposta de desoneração da folha de pagamento. Pacheco também citou a sugestão na última segunda-feira em reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Segundo Pacheco, que ocupa interinamente o cargo de presidente da República durante as viagens internacionais de Jair Bolsonaro (PL), a ideia é que haja uma inversão do ônus: ou seja, a fixação do piso da enfermagem e a avaliação posterior do impacto financeiro para que, em seguida, seja aprovada uma iniciativa legislativa, como a desoneração da folha de pagamento, na proporção do impacto sofrido pelo setor privado.

Pelo piso aprovado no Congresso, os enfermeiros teriam que receber um salário mínimo inicial de R$ 4.750. A remuneração mínima de técnicos de enfermagem será de 70% do piso nacional dos enfermeiros (R$ 3.325), enquanto o salário inicial de auxiliares de enfermagem e parteiras corresponderá a 50% do piso dos enfermeiros (R$ 2.375).

A movimentação do Legislativo e Executivo para garantir o piso foi retomada após o Supremo Tribunal Federal suspender a lei do piso, aprovada no Congresso, por 60 dias, até que seja esclarecida a fonte de custeio da medida.

Informações O Sul.

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