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‘A ação foi legítima, proporcional e necessária, evitou algo pior’, esclarece o Comandante da Brigada após partida do VEC

Saiba o posicionamento da Brigada Militar sobre o conflito no último jogo do Pentacolor na temporada

O dia 30 de outubro, é uma data que ficará marcada na história do futebol veranense. Aquele sábado ensolarado no Estádio Antônio David Farina, era aguardado por muitos, pois colocava frente a frente, Veranópolis e Avenida, que duelavam pelo sonho do acesso à elite do futebol gaúcho, dois anos após a queda de ambas equipes.

Ao final daquela fatídica tarde, o VEC se despediu da Série A2. O Pentacolor deixou a competição nas quartas de final, após derrota de 1 a 0, frustrando o sonho do acesso e adiando-o para a próxima temporada, o desejo de um clube e uma cidade respeitados, que permaneceu por 26 temporadas consecutivas na elite do futebol gaúcho.

Mas nesse dia, o verdadeiro futebol ficou em segundo plano, em função de uma confusão generalizada, ocorrida inicialmente entre torcida e Brigada Militar e, em um segundo momento, entre dirigentes e jogadores das equipes.

A reportagem da Studio conversou com o Comandante da Brigada Militar de Veranópolis, Capitão Rogério Schuh dos Santos, contando as versões dos fatos.

Rogério afirmou que, historicamente, não haviam registros de confusões do gênero envolvendo a torcida do Veranópolis. Na ocasião, os ânimos estavam exaltados, situação que já havia ocorrido em Santa Cruz, com a partida de ida do Pentacolor. No confronto de volta, antes mesmo da bola rolar, a tarde já começou tensa, logo na chegada da delegação do Avenida.

Antes de mais nada, vale ressaltar que, em um debate mais crítico, há o questionamento da presença de inúmeros torcedores do Avenida, indicados como integrantes da diretoria do clube, que vieram ao Estádio Antônio David Farina, e ocuparam um setor das arquibancadas. No jogo de ida, em Santa Cruz do Sul, o Veranópolis não pôde contar com a presença de torcida, pois isso rege o regulamento da competição, junto ao decreto estadual, em comum acordo com os clubes participantes.

A situação no jogo de volta foi um dos motivadores das confusões generalizadas, sendo que o Capitão Rogério relata que, antes do jogo, foi necessário enviar equipes de Bento Gonçalves para reforçar a segurança da partida.

No decorrer do jogo, o comandante ainda cita que diversas situações exigiram a atuação das forças de segurança. A primeira delas constatou um indivíduo que foi apreendido com uma faca, onde uma tragédia foi evitada. Outros dois fatos dizem respeito a um pequeno grupo da torcida do Avenida que, após o gol, fez algumas provocações, enfurecendo mais ainda a torcida do VEC, sendo que a mesma contava com muitos indivíduos já embriagados.

A torcida organizada ainda teve a possibilidade de acessar o estádio por outro meio, a partir de um andaime, o que dificultou a revista por parte da polícia, e por onde acabaram entrando alguns objetos, entre eles, latas de cerveja que foram arremessadas no campo e outros artefatos que atingiram policiais.

“Temos imagens de arremessos de pedra, que graças a deus não atingiram ninguém. Fizemos o uso permitido da força, foram efetuados alguns disparos, com armamento para controle de distúrbios, utilizando munições não letais. Alguns torcedores se lesionaram e nossos policiais também ficaram feridos, em virtude desse confronto. Conseguimos identificar alguns dos torcedores, fizemos registro e buscamos provas”, detalha.

Questionado se houve algum diálogo com o clube, Schuh destaca que conversou com um representante do VEC e alinhou um encontro para debater as estratégias de segurança futuras. “Respeitamos a nota e o posicionamento do clube, entendemos que é a opinião deles e que o clube defende sua torcida, porque ela o mantém. Na análise que fizemos, a ação foi legítima, proporcional e necessária, até porque, se não acontecesse daquela forma, poderia haver um mal maior”, justifica.

Para o Comandante, uma invasão de campo ou as pedras que foram arremessadas e que poderiam ter atingido um jogador, um torcedor, ou membro da direção, são perigos iminentes. “Foi uma ação delicada, não é fácil decidir naquele momento, porque é um momento tenso que exige decisões rápidas. Haviam bastante torcedores indignados, revoltados, e o pior, por conta da embriaguez, perdendo a questão da noção das ações e circunstâncias. Numa análise técnica, os disparos foram feitos corretamente, na altura correta, da cintura para baixo, para evitar lesões mais sérias”, defende.

No que diz respeito a retirada total da torcida organizada e não de apenas alguns dos desordeiros, Rogério entende que é uma decisão difícil, porque muitas vezes esses grupos não reagem bem às ações do policiamento. “As circunstâncias nem sempre favorecem a identificação e individualização de quem está ocasionando a confusão, para retirar apenas o responsável por cometer os atos violentos. Além disso, em um grupo, ainda existe quem incentiva esse tipo de atitude”, explica.

Saiba mais | ‘Tentamos conversar’, dizem torcedores do VEC feridos na partida contra o Avenida

Entrevista tratou sobre o tema

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