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Dia Nacional dos Surdos: conheça a história dos irmãos Davi e Lucas

Os irmãos nasceram com deficiência auditiva e, a partir da busca de soluções, conseguiram superar essa dificuldade

Comemorado no dia 26 de setembro, o Dia Nacional dos Surdos foi instituído em 2008. A data foi escolhida por ser neste dia que foi criada a primeira escola brasileira para surdos, ainda no ano de 1857, pelo imperador Dom Pedro II: o Colégio Nacional para Surdos-Mudos, no Rio de Janeiro, atualmente chamado de Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines). 

Qualquer deficiência traz inúmeros desafios para a vida de uma pessoa. Hoje, ao nascer, todas as crianças passam por uma série de exames e testes para garantir que sua saúde esteja em perfeito estado ou para identificar possíveis problemas previamente, para que se possa buscar uma solução. Assim foi a experiência de Alini Klering da Silva, mãe dos meninos Davi, de 9 anos, e Lucas, de 2 anos. Os dois nasceram com deficiência auditiva.

Ainda em 2011, no ano que Davi nasceu, em uma época que os exames não eram obrigatórios, Alini insistiu em realizar todos os testes para avaliar a saúde de seu filho mais velho, mesmo que a gravidez tivesse sido tranquila. Ao realizar o teste mais completo, confirmou-se a suspeita inicial: Davi foi diagnosticado com deficiência auditiva severa-profunda bilateral. “Daí pra frente foi um turbilhão de emoções. A gente não sabe o que vem pela frente, o que fazer, o que procurar, que recursos se tem. Eu pensava ‘meu deus, o meu filho vai ser surdo-mudo, como vai ser a vida dele, como vai se comunicar?’ porque a gente sabe que a comunicação seria por Libras e aqui na nossa cidade essa é uma realidade distante”, revela.

Alini conta que sempre soube que era um problema e que precisava buscar uma solução. “Eu nunca vi a deficiência auditiva como irreversível. Na minha cabeça tinha solução e eu ia achá-la em algum lugar”, relata. A partir disso, a parceria com profissionais da área foi essencial na busca por caminhos que pudessem resolver essa adversidade. Foi quando uma fonoaudióloga apresentou a possibilidade do implante coclear.

A família enfrentou a dificuldade com esperança e união | Foto: arquivo pessoal

Até chegar à concretização dessa resposta, uma série de procedimentos foi realizado, não só com Davi, mas com toda a família, que enfrentou avaliações psicológicas também para estar preparada para passar pelo processo de cirurgia, pós operatório e também de reabilitação do desenvolvimento da linguagem e comunicação do filho. “Não é algo tão simples quanto nos parece. A criança não começa a falar no dia seguinte à cirurgia. É um processo lento, demorado, que requer paciência. Tem que controlar bastante a ansiedade e a expectativa”, pontua Alini.

Com 1 ano e 11 meses, Davi foi operado e iniciou os processos para desenvolver sua audição. Com quatro anos de trabalho de reabilitação, começou a desenvolver a fala, já aos seis de idade. Hoje, Davi é considerado um menino surdo-oralizado, porque desenvolveu uma maneira de se comunicar e utiliza o aparelho auditivo, a partir da cirurgia realizada. Apesar das dificuldades enfrentadas, ele leva uma vida normal, acompanha sua turma e o processo de aprendizado na escola e supera os obstáculos dia após dia.

Quando o segundo filho, Lucas, chegou ao mundo, os mesmos testes foram realizados para avaliar sua saúde e novamente o problema foi encontrado. Já com experiência e conhecendo os caminhos para resolver a dificuldade, Alini conseguiu agilizar o processo e fazer com que tudo andasse mais rápido. Porém, no meio do caminho, a pandemia acabou interferindo seus planos, gerando uma ansiedade maior, em função da paralisação das consultas e procedimentos. Apesar disso, as médicas, que já haviam se tornado amigas da família, colaboraram com as avaliações, exames e procedimentos necessários para o caso de Lucas, conseguindo com que o implante realizado fosse bilateral, recuperando a audição nos dois ouvidos.

Hoje, Alini enfrenta junto com os filhos o processo de aprendizagem e desenvolvimento de fala, em um momento que as dificuldades diminuíram, mas servem de motivação para que o cuidado com a saúde continue. Como mãe, ela conta que se preocupou e ainda se preocupa muito com o futuro dos filhos, com medo de que eles sejam dependentes em sua comunicação, vida social e desenvolvimento estudantil e profissional. Porém, percebe uma melhora muito grande na inclusão dos deficientes e propriamente um avanço no âmbito médico para as possibilidades de recuperação em casos como esse. Portanto, não se pode perder as esperanças de encontrar soluções.

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