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Estudantes relatam que não puderam fazer o Enem após salas ‘excederem capacidade máxima’ no RS

Segundo o Jornal Correio do Povo, o primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 foi marcado por problemas, apesar das precauções adotadas para evitar a propagação do coronavírus. Os portões foram abertos mais cedo, às 11h30min, fecharam às 13h e das 13h30min às 19 horas foi a aplicação das provas objetivas de linguagens e ciências humanas, com 45 questões cada, além da redação, que teve como tema “O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira”. Mas em Porto Alegre, muitos estudantes não conseguiram fazer o Enem, devido a problemas de lotação das salas. Também houve filas e aglomerações em acessos e corredores de prédios que receberam os candidatos. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação, foi procurado, mas não deu esclarecimentos sobre a situação.

Alegando questões de segurança e sigilo, o Inep não divulgou a listagem de locais de prova. Mas na PUCRS, na zona Leste da Capital, 6.781 candidatos iriam participar do exame distribuídos em oito prédios da instituição. O acesso ao campus estava liberado desde cedo, mas os estudantes compareceram em maior peso a partir das 11 horas, quando foi permitido a entrada nos prédios. “Sou meio adiantada. Cheguei para não ter qualquer problema”, conta a candidata ao curso de Medicina Veterinária, Alice Freitas, 24 anos. Para ela, o pior problema causado pela pandemia na preparação à prova, foi a incerteza. “Não dava para saber se iria ter prova. Tinha ainda que responder um questionário se tinha alguma doença, mas não avisaram quando encerrava e quando respondi não deu mais”, lamenta a moradora do bairro Alto Petrópolis. Por outro lado, quem chegou atrasado, às 13 horas, acabou se deparando com as portas fechadas nos locais de prova.

A estudante Matiely Machado, 21, da Restinga, estava apreensiva e horas antes da prova, chegou a pensar em desistir. “Fiquei com medo. No grupo de WhatsApp com outros candidatos, fizeram uma enquete e uns 50% responderam que iriam desistir. Muita gente que conheço, desistiu. Era a primeira vez que ela enfrentava o exame e tentava entrar para a faculdade de Administração.

Mas para tentar contornar os obstáculos impostos pela pandemia, o Inep ordenou ocupação máxima de 50% de candidatos por sala, para garantir o distanciamento entre os participantes. Durante todo o tempo de realização da prova, os candidatos ainda estavam obrigados a usar máscaras de proteção da forma correta, tapando o nariz e a boca, sob pena de serem eliminados do exame. Além disso, havia a promessa do álcool em gel estar disponível em todos os locais de aplicação.

Mas para Alice Ferreira, 19 anos, que tentaria uma vaga para o curso de Letras, o primeiro dia de Enem foi de frustração. Apesar de ser moradora de Porto Alegre, ela veio da praia exclusivamente para realizar a prova. Ingressou no prédio 50 da PUCRS às 12h10 e permaneceu lá até ser convidada a se retirar da sala. “Não tinha mais que uns 15 alunos na sala. Mas disseram que a sala estava cheia e tive que sair. Aí parece que é para fazer a prova, que será remarcada nos dias 24 e 25 de fevereiro”, relata. Para Alice, os fiscais de sala teria dito ainda para ligar para o Inep para buscar orientações e justificaram a medida por causa de uma liminar da Justiça do Amazonas, o que é uma informação desencontrada, já que o Enem naquele estado foi adiado por causa do lockdown. “Mas eu esperava que tivesse algum problema, por causa de todo este movimento do Enem”, afirma.

Em outros pontos de Porto Alegre, onde ocorria prova, como na unidade da Uniritter na Cavalhada, candidatos chegaram a esperar no corredor de um dos prédios da instituição por uma sala para realocação. Mas a espera foi sem sucesso e dezenas de candidatos, que assim como Alice, tiveram provas adiadas. No Colégio Estadual Odila Gay da Fonseca, no bairro Ipanema, também houve relatos do mesmo problema. Como o Inep não permitiu o acesso da imprensa aos locais de prova, não foi possível atestar a situação de ocupação dos espaços e da distribuição de álcool gel. Até o fechamento desta reportagem, o Inep não respondeu sobre os candidatos impedidos de fazer a prova.

O exame segue no próximo domingo (24), quando os estudantes farão as provas de ciências da natureza e de matemática. Ao todo, cerca de 5,8 milhões de estudantes estão inscritos para fazer as provas. O Enem 2020 terá uma versão impressa, nos dias 17 e 24 de janeiro, e uma digital, realizada de forma piloto para 96 mil candidatos, nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro. A previsão é que os gabaritos sejam divulgados no portal do Inep, em 27 de janeiro.

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