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Mais de 1,2 mil líderes da Unick podem ser indiciados pela Polícia Federal

(Imagem: Facebook/Empresa)

Segundo o Jornal NH, a Polícia Federal começou nova fase da Operação Lamanai, que em outubro derrubou a maior pirâmide financeira que o País já teve, criada em Novo Hamburgo. O foco agora é nos líderes, como eram chamados os responsáveis pela captação de clientes da Unick Sociedade de Investimentos. Mais de 1,2 mil já foram listados só no Rio Grande do Sul, com fortes indícios de envolvimento nas fraudes financeiras. A tendência é que sejam indiciados, denunciados e se tornem réus, como aconteceu com os 15 membros da cúpula da empresa, quatro deles ainda presos. Será o maior processo criminal da história da Justiça Federal. A PF não fala sobre a investigação, porque está sob sigilo.

A reportagem apurou que, no Vale do Sinos, quase todas as cidades têm pelo menos um líder investigado. Era aquele que rodava com carro adesivado da Unick, ostentava ganhos surpreendentes nas redes sociais e, mesmo sem qualquer especialização na área, se identificava como executivo ou consultor de finanças. A imagem de quem venceu na vida. O sucesso em pessoa.
“Família”

Seduzidos pela magia da prosperidade repentina, parentes, amigos e indicados entravam na carteira de clientes do líder, que organizava encontros até em associações de bairro para alardear os planos de negócio, muitas vezes com a distinta presença de diretores da empresa. Os interessados podiam comprar pacotes de diferentes valores para ganhar rendimentos de 1,5% a 3% ao dia. O bem-sucedido líder estava ali para provar que era real, graças a aplicações em moedas virtuais. E, na medida em que arrebanhava novos membros para a “família Unick”, subia na hierarquia da empresa, em categorias como “ouro” e “diamante”.

O papel estratégico do líder, no entendimento das investigações, o coloca como co-autor nas fraudes financeiras e membro da organização criminosa. No decorrer do inquérito, deixou de ser visto como vítima para entrar no rol de comparsas da diretoria. A PF descobriu mais. Muitos líderes criaram pirâmides dentro da pirâmide. Arrecadavam o dinheiro e não aplicavam na empresa. Da conta particular ou de laranjas, tratavam de remunerar os clientes com os aportes dos que iam entrando. Sim, a Unick também foi vítima de golpe. “Ladrão que rouba ladrão.” A maioria dos líderes, entre fiéis e traidores, está identificada. E todos devem ser chamados para depor.

Como revendedores de ilusões, há muitos líderes sendo ameaçados. “Tive que vender carro e terreno para pagar o pessoal. A Unick nos abandonou”, desabafou um deles, em redes sociais. Em Curitiba, no Paraná, o conhecido líder João Batista Silva, 44 anos, foi morto com três tiros no carro, no último dia 5. A principal hipótese da Polícia é que o assassinato tenha sido praticado por investidores lesados.

Também há uma lista de investidores que terão que se explicar. No Vale do Sinos, há empresários, médicos, dentistas e advogados com aplicações suspeitas na Unick. “Essas pessoas terão que justificar a origem dos valores e poderão responder por sonegação fiscal”, conta um investigador. Foram expedidos ofícios para escritórios da Receita Federal em vários Estados e é apurada a fonte de recursos até de brasileiros que moram no exterior.

Confira a matéria completa do Jornal NH.

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